Quem tem medo do fim do imposto sindical?

O Sindicato dos Vigilantes do DF não tem!

Campanha da CUT e sindicatos filiados (inclusive o Sindesv-DF) pelo fim do imposto sindical em 2012

Desde a década de 90 que a CUT e a maioria de seus sindicatos defendem o fim da contribuição sindical, antigo imposto sindical e novas formas de financiamento da luta dos trabalhadores, sem qualquer interferência do Estado (Governo). No sistema atual, o governo federal fica com uma boa fatia do imposto sindical dos trabalhadores.

Defendemos que os próprios trabalhadores mantenham suas entidades e que somente tenham direito a todas as conquistas e avanços negociados pelo sindicato, os trabalhadores sindicalizados. Não é justo que um trabalhador fique 10 ou 15 anos usufruindo da luta dos demais trabalhadores sindicalizados, sem que ele tenha dado qualquer contribuição para manter e fortalecer a luta. Assim também pensam inúmeros juízes do trabalho e esperamos que isso seja consenso em breve. E no futuro, pode ser assim: Não é sindicalizado? Não lutou na Campanha Salarial? Não contribuiu? Não tem reajuste ou qualquer outro ganho.

Com a reforma trabalhista em curso, a classe trabalhadora precisará como nunca de seus sindicatos, cabendo-lhe a consciência de manter a entidade em condições de funcionamento para os grandes embates a serem enfrentados entre patrões e empregados.

Naturalmente que, mais cedo ou mais tarde, o imposto sindical pode fazer falta em muitas entidades, pois somente com mensalidades, não dá para manter algumas estruturas que um sindicato oferece para sua categoria. Mas, haveremos de encontrar novas formas de financiar a luta. O mais importante é que todos e todas saibam que as negociações estão cada vez mais duras e desiguais, uma vez que o capital (dinheiro) dita a correlação de forças, sem contar com nossos inimigos contumazes e que sempre buscam criminalizar a luta dos trabalhadores: parte do judiciário, do legislativo, do executivo e grande parte da mídia.


Os patos hipócritas

Assim que começaram as discussões, o patronato chegou a fazer pressão contra o fim do imposto sindical. Depois, se colocaram a favor, inclusive com notas em jornais apoiando o fim da contribuição sindical. No caso do patronal, seus sindicatos, federações e confederações também recebem a contribuição sindical na mesma proporção. No entanto, eles podem viver sem, pois, se lembraram que podem receber e recebem grandes quantias de dinheiro do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac) para manter suas entidades patronais.
Aí, os sindicatos de trabalhadores ficam sem os recursos e eles continuam com os recursos. Não seria justo que entidades laborais e patronais tivessem o mesmo tratamento?


Patronais patrocinam a reforma trabalhista

Segundo o site The Intercept Brasil, levantamento que examinou 850 emendas da Reforma Trabalhista apresentadas por 82 deputados revela que os lobistas de bancos, indústrias e transportes são autores por trás das emendas. Emendas essas que pioraram ainda mais a proposta original.
Então, as entidades patronais continuarão com muito dinheiro para atacar nossos direitos e conquistas, através de financiamento do Sistema S. No entanto, somos mais numerosos e juntos podemos construir um sindicalismo forte, independente e de luta.


Como é a contribuição do Sistema S
(Sesi, Senai, Sesc e Senac)

Conforme noticiou a Folha de São Paulo, as empresas recolhem mensalmente entre 0,2% e 2,5% da folha de salários para o Sistema S, cujo objetivo é promover a qualificação e garantir o lazer dos trabalhadores. No ano passado, o Sistema S arrecadou R$ 16 bilhões. Só a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp – a do patinho amarelo clonado de artista holandês), recebeu do Sistema S em 2016 mais de 100 milhões. Recursos esses oriundos dos trabalhadores e que eles passarão a usar para atacar direitos e conquistas da classe trabalhadora.

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