Vigilante sofre AVC após discutir com administrador do Riacho Fundo II

Um vigilante teve um acidente vascular cerebral (AVC) logo após discutir com o administrador regional do Riacho Fundo II, Daniel Figueiredo Pinheiro. De acordo com o Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal (Sindesv-DF), Daniel é conhecido entre os funcionários por seu temperamento explosivo e chegou a acionar a Polícia Militar para expulsar o segurança do seu posto de serviço. O incidente ocorreu em 28 de dezembro de 2017.

Erivaldo Leite, 46 anos, está internado em um hospital particular e se recupera bem. Ele passou dois dias na unidade de terapia intensiva (UTI) e seu estado de saúde é considerado estável. Colega de trabalho de Erivaldo, Francisco Edílson Cabral, 54, contou que o administrador começou a persegui-los após eles reivindicarem melhorias nas condições de trabalho. “A gente só perguntou se não haveria a possibilidade de termos um vestiário para trocar de roupa e um local mais adequado para almoçarmos, pois, hoje, comemos na rua, na calçada”, disse.

As cobranças não teriam sido bem digeridas por Daniel, que ameaçou pedir à empresa Multserv – responsável pela contratação dos trabalhadores do local – a devolução dos dois. O clima entre os guardas e o administrador azedou de vez há 20 dias, durante uma confraternização de fim de ano na unidade, à qual compareceu o deputado distrital Julio Cesar (PRB), responsável por indicar Daniel à chefia do órgão. “O deputado veio nos cumprimentar e perguntou se estávamos bem. Nós reclamamos do tratamento agressivo do administrador com os funcionários. Contamos que não temos um banheiro para trocar de roupa, nem refeitório”, relatou Francisco. O parlamentar teria chamado a atenção de seu apadrinhado, publicamente, o que despertou a ira de Daniel.

Assim como os vigilantes, duas funcionárias da limpeza foram devolvidas à empresa, a pedido de Daniel: as serventes Selmar da Conceição Lima, 49 anos, e Tamires Guedes Café, 31.

À reportagem, Selmar contou não saber por que foi dispensada. “Ele não falou nada, ninguém da empresa falou. Simplesmente pediu para nos devolver e, poucos dias depois, fomos mandadas embora”, conta.

Já Tamires disse ter discutido com o administrador. “Trabalhávamos na limpeza, e ele queria que a gente tirasse entulho, mas eu o questionei, alegando que se tratava de desvio de função”. A jovem ainda alegou falta de instrumentos adequados para fazer o serviço, o que teria motivado comentário irônico de Daniel. “Eu disse que estava com medo de cair, mas ele falou que eu não me machucaria, porque tenho a bunda grande”.

Tamires afirma ter presenciado muitas situações desconfortáveis na administração. “Ele sempre disse que tinha poder e poderia tirar qualquer uma de nós, bastava mandar um relatório. Estou muito chateada, pois muita coisa que está escrita no documento é mentira, não aconteceu”, assegura a ex-funcionária.

O administrador chegou a dizer que não era preciso um local para a equipe se alimentar, conta a moça. “Ele disse que o pessoal da limpeza podia ficar embaixo de uma árvore”.

Falta de estrutura
De acordo com o diretor de comunicação e imprensa do Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal, Gilmar Rodrigues, os funcionários não têm estrutura para trabalhar no órgão comandado por Daniel Figueiredo Pinheiro. “Nós somos contra esse tipo de tratamento. O trabalhador precisa ter um local adequado para comer e se trocar. Já conversei com o Daniel várias vezes, mas não adiantou. Ele oferece péssimas condições de trabalho para os funcionários. Agora, vamos denunciá-lo”, afirmou Gilmar.

O outro lado
Daniel Figueiredo negou todas as acusações e disse ter sido ameaçado de morte pelo vigilante Francisco Edílson Cabral. À reportagem, ainda afirmou que Erivaldo Leite não estava no local de trabalho quando sofreu o AVC. “Fui visitá-lo no hospital, e o irmão dele me disse que o Erivaldo tem problemas cardíacos e já tinha sofrido um acidente vascular cerebral antes”.

O administrador ainda rebateu as acusações do diretor do Sindicato dos Vigilantes: “Quem pediu para o Francisco sair daqui foi outro fiscal, e não chamamos a polícia em nenhum momento”.

Sobre a denúncia de falta de condições de trabalho na unidade, Daniel explicou que a administração está em obras há quase dois meses e, por essa razão, os vigilantes estão sem local para comer e trocar de roupa.

Ele assegurou que o depoimento das ex-funcionárias Selmar e Tamires é falso. “Quem mexe com entulho é o pessoal da obra. Para isso, temos contrato com a Funap [Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso]. São eles que fazem o trabalho braçal”, diz.

Já a Multserv confirmou que Daniel enviou ofício pedindo a devolução dos dois vigilantes porque eles não estariam “cumprindo as normas internas”. Segundo a empresa, ambos teriam barrado um servidor e reclamado das condições do posto de trabalho. A Multserv informou ter entendido como melhor solução a transferência dos seguranças, a fim de evitar um embate com o administrador.

Daniel Figueiredo contou ter ido à 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) para denunciar Francisco por ameaça, mas a Polícia Civil não passou informações sobre o caso.

 

Fonte: Metrópoles

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